Acho que vi um castelinho!

No primeiro dia de aula de Dublin nós fazemos um walking tour guiado por uma senhora bem simpática e de longos cabelos brancos. Ela nos apontou lugares como esse castelo, um mercado, ruas famosas e pubs interessantes.

Mas o que mais roubou meu coração foi esse lugarzinho. Veja bem, nem é dentro do castelo que estou falando, inclusive, nem achei tão emocionante entrar, mas nos fundos dele, podemos ir gratuitamente em seu jardim! E não só isso, ainda posso subir numa torre e pedir um café enquanto admiro a paisagem. Tudo isso por menos de 3 euros. E foi assim que esse lugar me ganhou.

Quando abre aquele Sol em Dublin (dias raros) já corro na fila do banheiro, adianto meu almoço e saio correndo para ter um tempo antes da aula começar. Levo meu diário em baixo do braço e é simplesmente meu cenário perfeito.

É um desses lugares que eu gosto de ir sozinha e curtir a minha própria companhia, vocês também tem esses lugares?
Me lembro que no Brasil eu gostava de ir num Starbucks e sentar do lado de fora, mesmo em dias bem quentes. Gostava de olhar as pessoas passando, enquanto escrevia sobre nada ou tudo! 

Enfim, se eu já arranjei um lugar aqui para fazer isso, quer dizer definitivamente, que estou me sentindo em casa!!

Aqui acontece tanta coisa e tantos sentimentos ao misturados, que acho que todos precisam de um lugar para respirar. 

Happy St Paddy’s Day :)

A cidade já estava consumida pela expectativa desse dia. Qualquer pessoa que iniciasse um assunto com você teria a pergunta em seu enredo– o que fará no st patricks?

Enfim o dia chegou. Sexta – feira foi feriado e a cidade já estava lotada. Pessoas de todos os países afim de curtir a festa. Eu comecei a celebrar na quinta-feira a noite, já que não teria aula na sexta. A cada pub uma pint, sorrisos, rostos e música diferente. Na mesma rua você poderia escutar uma banda tocando uma música típica irlandesa ou um dj apelando para os hits famosos da rádio (hits antigos, porque a rádio de Dublin não gosta de tocar músicas novas, se você viver aqui por uma semana, entenderá isso)

O frio deu uma aliviada na hora da parada. O desfile foi bem delicado e simples. A alegria dos participantes contagia mais do que os figurinos. E apesar de a maioria não ter a menor sincronização na dança eu estava sorrindo e acenando pro cara fantasiado de ovelha hahah.

Ao terminar o desfile as ruas ficam lotadas com pessoas animadas e loucas por festejar. Não passa de 15h da tarde e a cidade já está borbulhando. Você precisa acompanhar!
Peguei minha blusa verde, combinei com minha cartola e fui fazer minhas descobertas.

A cidade fica outro show a parte, com os monumentos mais importantes engolidos por luzes verdes. Minhas pontes lindas todas acompanharam essa moda. Até mesmo a cerveja que bebi estava de acordo com a estética imposta.

Foram dias tão felizes que estou com medo de me sentir assim. Apenas amor espalhado no dia desse santo tão importante pra mim! 

E vocês? Tiveram um bom St patricks?

Dos monumentos Fantásticos da cidade

Numa noite qualquer no meu quarto no Brasil meu irmão abriu a porta sem qualquer pudor e disse: ” achei esse livro na minha estante, acho que você deveria ler” – antes de eu conseguir esboçar qualquer reação ele bateu a porta nas suas costas e eu parei de assistir meu video no youtube para dar atenção aquele acontecimento.

Veja bem, meu irmão é uma pessoa dificíl de lidar, pois ele não expressa muitos sentimentos, então para ele ter levantado do seu computador e jogado aquele livro na minha cama, realmente, era algo  importante para ele. Aquela capa em preto e branco com a foto de um homem não era em absoluto convidativa. Mas joguei no google rapidamente para saber quem era Oscar Wilde.

Sim, é bem verdade que eu era ignorante a esse ponto. Talvez por isso, meu irmão fez essa intervenção. Joguei de lado meus livros sobre sequestros, assasinatos e romances sem finais felizes e resolvi ler um autor de renome.

O retrato de Dorian Gray. Eu devorei o livro e refleti sobre minha vida inteira. fiquei pensando o quão genial é esse autor e envergonhada por não ter o conhecido antes. Ele me fez entender que o homem obsecado pela beleza externa pode acabar chegando na sua decadência completa. E eu estava assim, durante um tempo.

Após alguns meses, resolvi vir para Dublin para minha jornada pessoal, e ao chegar aqui me dei conta que o autor tão importante pra mim, era irish e a casa dele junto a sua estátua fica perto da minha casa atual. E aí, mais uma vez, Dublin se torna tão emblemática para mim. Eu simplesmente, amo essa cidade. Talvez nem tanto pela cidade, mas pelo o que ela está me tornando, conseguem entender?

Oscar, seu lindo 🙂

Das viagens durante seu Intercâmbio :)

“18 dias. Use sabiamente” Foi o que a menina da recepção me respondeu quando perguntei quantas faltas poderia ter para viajar e garantir meu diploma. Então, durante 6 meses, os preciosos 18 dias serão preenchidos com mais descobertas!

Minha primeira cartada foram 5 dias em Marrocos. Era simplesmente um lugar diferente de tudo o que eu conheço. Achei que seria ótimo para meu complemento de autoconhecimento. E definitivamente não estava enganada.

A viagem consiste em um grupo de jovens de diferentes países numa van indo para o deserto. A van vai parando em lugares com vistas incríveis e cidades com choque cultural gritante. No terceiro dia de viagem chegamos no deserto.

É tão incrível que eu não consigo definir aqui. Aquele sol, as dunas, a tenda em que passamos a noite. A todo momento eu repetia baixinho pra mim – eu tô no deserto – como se não conseguisse digerir.

A noite daquele lugar foi o céu estrelado mais bonito que já vi na vida. Nunca vou esquecer. Aliás a viagem como um todo. Provar comidas típicas, andar de camelo, aprender a dançar como eles, tomar chá antes de cada refeição, rir do guia tentando falar português. Enfim. Se algum dia vocês tiverem a chance de ir, não pensem duas vezes.

Ao retornar para Dublin você senti uma energia renovada e vontade de aprender mais. Você se desespera que o tempo está passando muito rápido e se pergunta até quando cada dia que passa será tão perfeito.

As igrejas desse lugar!

Parece que a cada esquina que percorremos por aqui, nossos olinhos são contemplados com castelos medievais, mas ao olharmos atentamente percebemos que são charmosas igrejas.
Ainda fico admirando cada arquitetura porque é simplesmente muito diferente da onde eu moro. É bem verdade que nem católica eu sou, mas acho incrível.

Pra mim, entrar na St Patricks Cathedral foi bem místico, primeiro por ser um dos grandes símbolos daqui e depois por ter estudado a minha infância num colégio que homenageava o padroeiro da cidade (St Patricks).

Enquanto admirava essa construção imponente esboçava um leve sorriso ao fazer a conexão desse santo comigo. A minha infância e primeiras memórias felizes foram no meu primeiro colégio. E agora a fase mais incrível da minha vida está sendo na terra dele! 20 anos depois de usar um uniforme verde com um trevo estampado no peito eu estou aqui, sentada no jardim da cathedral sorrindo.

A vida realmente é vibrante. Cada dia que passa eu fico triste por ter terminado, aqui aprendi que é possível ser feliz todos os dias! Nossos probleminhas são tão pequenos perto da grandiosidade da aventura que vivemos 🙂

Já são dois meses em dublin, sozinha e me conhecendo cada vez mais, será que pode passar mais devagar? Não tô preparada pra terminar!

Sobre a Beleza de Dublin ou dias chuvosos :)

É bem verdade que as vezes o clima de Dublin me tira do sério. Talvez pelo fato de que eu sempre gostei do calor. Mas depois que você aprende qual o casaco certo para cada ocasião você perdoa um pouco esse clima. Na realidade, isso vira uma grande piada interna.

A maioria dos Irlandeses que eu conheci me cumprimentaram assim “Welcome to dublin and sorry about the weather” e aí, os sorrisos já começam na primeira frase! Afinal, todos estamos no mesmo barco.

O engraçado disso tudo, é que por causa do tempo, eu achava que seria uma cidade bem cinzenta e teria uma beleza meio de filme em preto e branco, conseguem me entender? Mas, sabiamente a galera daqui deixou de outra forma! Cheio de cores vivas e vibrantes, andar pela cidade me faz me apaixonar por cada beco novo que descubro.

Essa foto que tirei enquanto voltava do passeio do Phoenix Park, representa essa alegria. Casas coloridas com suas portas de cores ousadas. Há algumas explicações por essas portas serem coloridas, eis a que mais gostei de escutar:

Os moradores de Dublin resolveram pintar as portas porque eles sempre voltavam muito bêbados dos pubs e não conseguiam identificar quais eram suas casas, então eles deram um jeito bem charmoso para que não se perdessem mais.

Enfim, são pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Esses detalhes me fazem sorrir, mesmo se a chuva resolveu aparecer! Afinal, dias chuvosos sempre vão existir, mas a forma como lidamos com eles que faz a diferença de como escrevemos nossa história.
E você intercambista, como está escrevendo a sua?

Conheçam minha moradia fixa! :)

Podem olhar e admirar o meu novo cantinho! Fica em Dublin 8 apenas 15 minutos andando da minha escola! Foram 3 semanas na Egali house acessando diversos aplicativos e grupos no facebook em busca de algo interessante!

Aqui é meio insano essa busca por casa! São milhares de pessoas querendo o mesmo que você! Então, como a demanda é super alta, as pessoas que alugam fazem filas de entrevistas para arranjar o novo inquilino. Você sai de uma casa achando que mandou bem e quando está na porta entram mais 3 para a entrevista na mesma vaga.
Visitei três casas antes de conseguir essa que estou aprendendo a amar!

Depois de um tempo, as perguntas não me faziam mais sentido. Em uma visita que fui o dono me perguntou qual era meu personagem de desenho favorito. Ainda acho que perdi essa casa por causa da minha resposta, só consegui pensar rápido e dizer: Bob Esponja! Mas depois ele deve ter lembrado o quão irritante o Bob Esponja pode ser!

Já estava procurando minha ponte favorita para morar, quando vi no daft uma vaga acessível. Me candidatei e fui chamada no dia seguinte. Coloquei meu melhor casaco e treinei no espelho meu inglês para não engasgar, em casos de personagens favoritos : lisa, dos simpsons (demorei um tempo pra pensar hahaha)

Quando cheguei para entrevista a landlord estava com a filha de dois anos no colo. Estava com uma cara cansada e não estava me dando bola. Fez algumas perguntas roboticamente até que de repente a vida resolveu me ajudar. Aquela criancinha engatinhou e subiu no meu colo! A moça ficou assustada, disse que ela não é de gostar fácil das pessoas assim.

Fiquei empolgada! Aquela acomodação era minha! Enquanto raciocinava em dizer “ que menino bonitinho!” ela disse “Minha filha gostou de você!”. E fechei minha boca antes de estragar o que os deuses estavam me ajudando hahaha

Fui embora sorridente. Ela disse que me ligaria em 2h para dar a resposta! Eu já sabia que era meu! Quando cheguei em casa vi que tinha um chocolate no meu bolso. Talvez bebês não gostassem de mim, apenas de doces! Ainda bem que eu sempre tenho um !

E vocês? Já conseguiram um lugar para ficar?

Divido o quarto com uma menina argentina! E na casa no quarto ao lado mora uma Irish! Agora sim consigo treinar meu ingles! 

Agora que o primeiro mês ja se passou, novas preocupações estão por vir! I can`t wait!!!! 🙂

​Aqui tudo passa tão rápido! 

Já estou correndo para minha quarta semana em Dublin! São tantos cantinhos da cidade descobertos, tantas pessoas novas conhecidas que eu vou perdendo o controle do tempo. Quando reparo já é domingo outra vez!
Descobri que esse sentimento é um dos mais comuns entre intercambistas! Então comecei a relaxar e aproveitar cada passo novo. Graças uma noite qualquer entendi o poder do apenas aproveitar.

Nessa noite estava andando a passos rápidos com os olhos grudados no gps do celular para não me perder, até que o menino ao meu lado me disse “Menina! você anda muito rápido, desacelera um pouquinho!”. Eu sorri e vi que eu realmente não estava fazendo certo! Ele me ensinou que nós iríamos chegar, mas fica mais divertido se o caminho for degustado.

Então, desde aquela noite, menos gps e mais degustação de caminho!

Degustação essa claramente feita saindo do meu conforto de Dublin 1 para o distante (ou não tão distante) Dublin 8! fui conhecer o Phoenix park! Um dos maiores parques da europa! Ele é arrepiante! Um lugar ideal para sentar com os amigos e comer umas comidinhas! Além do ponto mais divertido do parque: cervos ao ar livre! Os bichinhos simpáticos gostam de comer cenoura! É bem divertido alimentá-los!

Foi um passeio divertido, com 30 minutos de caminhada observando as coloridas portas da cidade. Ao ver aquela imensidão verde, o coração acelera e os olhos brilham! Consegui chegar, o caminho foi sentido e a recompensa da paisagem foi sensacional! 

Muitas risadas e novas amizades foram feitas nesse parque. O grupo formado no parque é o grupo que está junto na viagem por agora! Mas sabe o que é mais desafiador? É que talvez esse grupo seja só o caminho para novos grupos e pessoas que ainda vou conhecer, ou talvez ele ja seja o resultado da amizade! Seja como for, como aprendi naquela noite eu preciso apenas aproveitar o caminho. 

Vamos?

As pontes de Dublin :)

Ao chegar nessa cidade, é inevitável ter a necessidade de passar em uma das pontes do Rio Liffey. Fiquei admirada quando tive que fazer minha primeira travessia com destino a minha aula.

Depois pesquisei e vi que cada uma tem sua história e possui uma arquitetura diferente! A vontade que tive foi de percorrer esse rio inteiro só pra ver cada pontezinha.

Essa da foto é a que eu atravesso todos os dias desde que cheguei aqui 🙂

Veja bem, talvez eu seja um pouco a tarada das pontes e vocês não achem tão emocionante assim, mas eu amo passar por elas! Meu pai um dia constatou – Todo lugar que você estuda tem uma ponte, já reparou? – e talvez seja isso, lá na minha cidade tinha uma ponte para chegar no meu colégio, no meu prédio da faculdade e agora aqui!

Me lembro quando eu tinhas uns 13 anos e fui sozinha para o colégio e pude ficar admirando a vista da ponte sem meu pai dizer que eu ia me atrasar, foi tão libertador!

O problema é que nessas duas semanas de aula, devido aos meus devaneios solitários na ponte e a falta do meu pai me dizer que vou me atrasar, acabo perdendo a hora olhando pro horizonte.

Reviro o olho quando percebo que atrasei e saio correndo para minha turma. Entro silenciosamente nas cadeiras de trás, feliz por meu nome estar quase no final da chamada. Enquanto tento ser invisível meu amigo italiano que é a cara do Eddie Redmayne fala um inglês cheio de gestos “Larissa! you are late again! that s impossible!”

Eu apenas sorrio e faço um gesto para ele parar de me dedurar pra professora.

Afinal, eu só estava apaixonada, dessa vez não por alguém, apenas por um lugar. Meu lugar.

​Enfim cheguei! Minha primeira semana em Dublin!

Até entrar no avião eu estava segura sobre minha decisão. Era isso. Eu ia sozinha para longe de todo mundo para conseguir enfim me conhecer.
Sentei na poltrona, me ajeitei para mais de 10 horas de viagem e continuei com o meu sorriso de canto de boca. Até que chegou a hora do jantar. A comissária parou do meu lado e me perguntou se eu queria Pasta ou frango.

Eu simplesmente não conseguia decidir! Então todo o pavor veio na ponta do meu estômago e o desespero começou a correr entre minhas veias.

O que eu estou fazendo? Eu não vou sobreviver sozinha! Eu preciso voltar, preciso dos meus pais, dos meus amigos, até mesmo dos meus inimigos! Estou com saudades dos meus antigos problemas, das minhas antigas histórias, eu preciso voltar!

Foram mais de 10 horas sem dormir. No aeroporto de madrid enquanto esperava minha conexão eu apenas chorava. Não quis preocupar meus pais, estava alí, sofrendo completamente sozinha. E acho que esse foi meu primeiro desafio.

Então eu finalmente cheguei. Peguei o transfer e fui passando pelas ruas de Dublin. Estava de noite mas era possível ver as charmosas casas e vielas. Meu coração enfim foi acalmando e eu percebi que estava onde deveria estar. Acho que é apenas muita adrenalina para um dia.

Estava morta de cansada. Eu apenas queria tomar meu banho e dormir. Cheguei numa casa com 10 estudantes. Entrei no chuveiro e advinhem?

Eu quebrei o chuveiro. Sim. Em menos de uma hora na minha nova casa eu já estava em apuros. Fiquei olhando para toda aquela água e eu simplesmente não sabia o que fazer.

Pedi ajuda para uma das meninas que estava na sala e ela tentou me ajudar. Ligamos para o landlord e a agua não parava. Enquanto ainda estava de toalha os outros moradores da casa chegaram e todos, TODOS resolveram entrar no banheiro para tentar ajudar que a casa não inundasse. Foi bem constrangedor.

Minha primeira semana fiquei conhecida como a menina do chuveiro.

Mas com esse e outros arranhões da chegada, estou viva e pronta para o resto!

BORA PARA AVENTURA!

Foto: minha primeira vista do Temple Bar. Pub mais antigo de dublin! ♡